SEGURANÇA PÚBLICA - Menos crimes violentos, mais violência contra mulheres
Dados da Sejusp mostram aumento da violência doméstica no município, acompanhando tendência apontada pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública
A divulgação do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, no dia 23 de julho, mostrou que o Brasil alcançou, pela primeira vez, a meta nacional de redução dos homicídios prevista para 2027, registrando o menor índice de mortes violentas intencionais desde o início da série histórica, em 2012. Em contrapartida, o país bateu recorde de feminicídios e apresentou crescimento em diversos indicadores de violência contra as mulheres.
Em Itatiaiuçu, os dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG) apontam um cenário semelhante em alguns aspectos. Enquanto os crimes violentos apresentaram queda em 2025, os registros de violência doméstica e familiar contra a mulher aumentaram, assim como os casos de furto.
Segundo a Sejusp, Itatiaiuçu registrou 19 crimes violentos em 2025, contra 28 ocorrências em 2024, uma redução de aproximadamente 32%. O índice passou de 205,84 para 137,89 ocorrências por 100 mil habitantes.
Entre os crimes violentos registrados no município em 2025 estão seis casos de estupro de vulnerável consumado, seis roubos consumados, quatro estupros consumados, dois homicídios consumados e uma tentativa de homicídio. A maior parte das ocorrências aconteceu em vias públicas (oito registros) e em residências (sete), além de parques, praças e áreas rurais.
Apesar da redução dos crimes violentos, os furtos cresceram. Em 2025, foram 330 furtos consumados, frente a 259 em 2024, aumento de aproximadamente 27%. Também foram registrados 18 furtos de veículos e um roubo de veículo.
Violência contra a mulher segue em alta
Assim como ocorreu em nível nacional, os indicadores relacionados à violência contra a mulher cresceram em Itatiaiuçu. Os registros de violência doméstica e familiar passaram de 95 ocorrências em 2024 para 118 em 2025, alta de cerca de 24%. Apenas no primeiro semestre de 2026, já haviam sido contabilizados 85 casos, número que representa mais de 70% do total registrado durante todo o ano passado.
Embora o município não tenha registrado feminicídio consumado no período analisado, houve uma tentativa de feminicídio em 2023 e outra em junho deste ano, reforçando a necessidade de atenção às políticas de prevenção e proteção às mulheres.
No Brasil, o Anuário aponta que 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, média de quatro assassinatos por dia, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015.
Crimes motivados por LGBTQIA+fobia aumentam
Outro dado que chama atenção em Itatiaiuçu é o crescimento dos registros de crimes cuja causa presumida foi a LGBTQIA+fobia. Em 2025, foram contabilizados seis casos, contra apenas um registro em 2024. As ocorrências envolvem vias de fato, lesão corporal, atrito verbal, furto e outras infrações.
Em Minas Gerais, o Anuário também aponta aumento dos crimes contra a população LGBTQIAPN+, incluindo crescimento dos homicídios, lesões corporais, estupros e ocorrências de racismo por homofobia ou transfobia.
Comparação regional
Na comparação regional, Mateus Leme apresentou a maior taxa de crimes violentos, com 196,01 ocorrências por 100 mil habitantes; seguida por Igarapé, com 154,72; e Itatiaiuçu, com 137,89. Em números absolutos, Itaúna liderou a região, com 106 registros, mas apresentou uma taxa de 102,64 ocorrências por 100 mil habitantes, abaixo da registrada em Itatiaiuçu. Na sequência, aparecem Brumadinho, com 37 registros e taxa de 90,05; Carmo do Cajuru, com 18 ocorrências e taxa de 73,23; Itaguara, com 10 registros e taxa de 69,37; e Rio Manso, que contabilizou três crimes violentos, equivalente a uma taxa de 52,21 ocorrências por 100 mil habitantes.
Minas Gerais acompanha tendência nacional
Os dados estaduais também apontam redução das mortes violentas. Em Minas Gerais, as Mortes Violentas Intencionais caíram de 3.219 em 2024 para 2.770 em 2025, acompanhando a tendência nacional.
Os homicídios dolosos diminuíram de 3.134 para 2.698, e os latrocínios passaram de 56 para 44 casos. Em contrapartida, os feminicídios cresceram de 169 para 177 registros, enquanto os casos de violência psicológica, perseguição (stalking), ameaças e descumprimento de medidas protetivas também aumentaram.
Outro destaque foi o crescimento dos estelionatos por meio eletrônico, que passaram de 54.141 para 60.037 ocorrências, evidenciando a migração de parte da criminalidade para o ambiente digital.




