Moradores denunciam expulsões e abusos

Acusações envolvem ameaças, cobranças indevidas e desvio de finalidade na área da região dos Chaves; órgãos competentes acompanham o caso

Moradores denunciam expulsões e abusos
Fotos: Divulgação
Moradores denunciam expulsões e abusos
Moradores denunciam expulsões e abusos
Moradores denunciam expulsões e abusos

Integrantes do acampamento Maria da Conceição, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), procuraram a reportagem da FOLHA para denunciar supostas práticas arbitrárias e ordens de despejo irregulares aplicadas pela coordenação local. O caso envolve moradores que ocupam a nova área do movimento na região dos Chaves, na divisa entre os municípios de Itatiaiuçu e Itaúna.

De acordo com o relato de uma das denunciantes, que entrou em contato com a FOLHA e afirma residir no acampamento na fazenda Monte Alvão, no Distrito de Santa Terezinha, há nove anos, a ordem para deixar o novo local ocorreu cerca de nove meses após a transferência da comunidade para a nova propriedade. Segundo o relato, a justificativa apresentada pelos líderes seria a suposta falta de colaboração com as diretrizes do movimento.

A moradora relata que as ações têm gerado clima de tensão entre as famílias. Diante do impasse e da iminência de despejo, o caso foi formalmente levado ao Ministério Público, à Polícia Civil e ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS).

Em 2025, foi firmado acordo de reintegração de posse para a desocupação da Fazenda Monte Alvão, em Santa Terezinha, área ocupada pelo MST desde 2017 e vinculada à mineradora MMX. Na ocasião, a transferência das cerca de 150 famílias para a região dos Chaves foi aceita nesse acordo. Na época, segundo a moradora, houve promessa de regularização fundiária, indenizações e cessão definitiva do terreno, compromissos que não teriam sido concretizados até então.

Além das ordens de afastamento, a representação encaminhada às autoridades aponta abusos por parte da coordenação, incluindo cobrança compulsória de mensalidades; pressão psicológica e vigilância sobre o direito de ir e vir das famílias; proibição do uso de alimentos provenientes das hortas comunitárias; retenção de moradores com saúde debilitada sob ameaça de perda do lote; relatos de maus-tratos a animais e denúncias graves envolvendo uso de drogas e suspeita de pedofilia no local.

Histórico e regras de convivência do movimento

Esta não é a primeira vez que atritos entre coordenadores e acampados chegam ao conhecimento das autoridades. Logo após a mudança para a nova área, no ano anterior, registros policiais apontaram atritos verbais motivados por tentativas de expulsão de moradores, que, na ocasião, não formalizaram representação.

Por diretriz institucional, os assentamentos e acampamentos do MST funcionam sob regime de organização coletiva, voltados ao cumprimento da função social da terra e à agricultura familiar agroecológica. O regulamento interno prevê a manutenção obrigatória da produtividade dos lotes e veda a posse privada individual ou a comercialização das terras, condicionando a permanência das famílias ao cumprimento das normas comunitárias.

Até o fechamento desta edição, os órgãos competentes não haviam divulgado os desdobramentos da denúncia. O espaço segue aberto para posicionamento da coordenação do MST.