DIGNIDADE MENSTRUAL - Menstruação segura ainda é desafio no Brasil, indica Unicef

Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado no dia 28 de maio, alerta para dificuldades de acesso à saúde e higiene, tabus e falta de informação

DIGNIDADE MENSTRUAL - Menstruação segura ainda é desafio no Brasil, indica Unicef
Foto: © Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O direito de menstruar de maneira digna, segura e com acesso a itens de higiene ainda é um desafio para adolescentes e jovens. É o que mostra uma enquete do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que concluiu o desafio para meninas, mulheres, homens e meninos trans e pessoas não binárias que menstruam.

A pesquisa feita pela plataforma U-Report, em parceria com a Viração Educomunicação, indicou que dos 2,2 mil participantes, 19% já enfrentaram a dificuldade de não possuir dinheiro para comprar absorventes e 37% já enfrentaram dificuldades de acesso a itens de higiene em escolas e outros locais públicos.

No último dia 28 de maio, o Unicef celebrou o Dia Internacional da Dignidade Menstrual, com o alerta de que a pobreza menstrual ainda persiste no Brasil. Necessidades de saúde e higiene menstrual são negligenciadas devido ao acesso limitado à informação, educação, produtos, serviços, água, saneamento básico, bem como a variáveis de desigualdade racial, social e de renda.

O levantamento da Unicef também mostrou que seis entre cada dez pessoas ouvidas disseram que já deixaram de ir à escola ou ao trabalho por causa da menstruação e 86% já abstiveram de fazer alguma atividade física pelo mesmo motivo. 

Tabus

A questão ainda envolve alguns tabus, escassez de dados e desinformação, pois 77% dos ouvidos já sentiram constrangimento em escolas ou lugares públicos por menstruarem, e quase a metade nunca teve aulas, palestras ou rodas de conversa sobre menstruação na escola.

“A falta de informação contribui para o estigma e gera situações de constrangimento. Precisamos desmistificar a menstruação e criar um ambiente acolhedor para pessoas que menstruam. Os dados da enquete reforçam a necessidade de fortalecer as práticas de educação menstrual, sobretudo nas escolas, e construir políticas que promovam a dignidade menstrual para combater desigualdades e empoderar esta e as futuras gerações”, avaliou Ramona Azevedo, analista de comunicação na Viração Educomunicação.

Política pública

Com o objetivo de combater as desigualdades causadas pela pobreza menstrual, em janeiro deste ano, as unidades credenciadas no programa Farmácia Popular começaram a distribuir absorventes gratuitos para a população em situação de vulnerabilidade social. A oferta faz parte do Programa de Proteção e Promoção da Saúde e Dignidade Menstrual, do Ministério da Saúde, e é direcionada a grupos que vivem abaixo da linha da pobreza e estão matriculados em escolas públicas, em situação de rua ou em vulnerabilidade extrema e população recolhida em unidades do sistema prisional.