Vacinação contra a covid-19 tem baixa cobertura entre crianças
Apenas 13% das crianças de 6 meses receberam três doses do imunizante em Itatiaiuçu; no Brasil, doença provocou 25 mortes de crianças e adolescentes em 2026
A vacinação contra a covid-19 apresenta baixa cobertura entre crianças em Itatiaiuçu, especialmente na conclusão do esquema de três doses recomendado para os primeiros meses de vida. Dados do Ministério da Saúde, atualizados até o mês de abril, mostram que apenas 13% das crianças de 6 meses receberam três doses da vacina monovalente contra a doença. Entre aquelas com idade de 3 a 4 anos, o percentual é de 16,6%. Os índices reforçam o desafio de ampliar a imunização infantil, em um cenário nacional marcado pela persistência de casos graves e mortes provocadas pelo coronavírus.
Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, apenas 5% das crianças pequenas do Brasil estão protegidas com as três doses da vacina contra a covid-19. Em 2026, a doença provocou mais de 1,1 mil hospitalizações de crianças menores de 14 anos por quadros respiratórios graves e 25 mortes nessa faixa etária. Entre as vítimas, 15 tinham menos de 2 anos.
Em Itatiaiuçu, os dados demonstram que a cobertura diminui à medida que aumenta o número de doses consideradas. Entre as crianças de 6 meses, 39,8% receberam duas doses, enquanto 13% chegaram à terceira aplicação. Na faixa etária de 3 a 4 anos, a cobertura de duas doses é de 42,8%, mas cai para 16,6% quando considerado o esquema de três doses.
O percentual de vacinação também varia entre as faixas etárias mais velhas. Entre crianças de 5 a 11 anos, a cobertura de duas doses chega a 81,1%, enquanto a de três doses é de 26,4%. Os números evidenciam a diferença entre a aplicação inicial do imunizante e a continuidade do esquema vacinal.
Vacinação também preocupa entre adultos
A baixa adesão não se restringe às crianças. Ainda conforme dados da pasta, a cobertura geral é de 99,47% para duas doses, 66,54% para três doses e 25,14% para quatro doses.
Já a vacinação com o imunizante bivalente, destinado à população a partir de 12 anos, apresenta cobertura de 17,52% no município. Entre as pessoas de 12 a 59 anos, os índices permanecem abaixo de 25% em todas as faixas etárias informadas.
Entre os idosos, a cobertura é maior em alguns grupos: chega a 36,4% na população de 60 a 64 anos, 39% entre 65 e 69 anos, 56,9% dos 70 aos 74 anos e 82,5% entre 75 e 79 anos. Para pessoas com 80 anos ou mais, o percentual registrado é de 63,2%.
Vacina é recomendada para crianças a partir dos 6 meses
Desde 2024, a vacina contra a covid-19 integra o calendário básico de vacinação infantil no Brasil. Para crianças que iniciam o esquema aos 6 meses, o Ministério da Saúde recomenda aplicações aos 6, 7 e 9 meses de idade. A imunização também pode ser realizada posteriormente, conforme a idade, o histórico vacinal e as orientações vigentes.
Apesar da recomendação, a adesão à vacinação infantil continua sendo um desafio no país. Especialistas e autoridades de saúde apontam a desinformação e a hesitação vacinal entre os fatores que dificultam a ampliação da cobertura.
Em entrevista à Agência Brasil, o diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, afirmou que o país dispõe de estoques de vacinas e de contratos para manter o abastecimento. Para ele, a disseminação de discursos contrários à imunização contribui para a baixa procura e para o desperdício de doses. “Tem que pôr na conta de quem de fato deve. A gente compra as vacinas, distribui e cumpre nossa obrigação constitucional, só que há o desincentivo da população para se vacinar. Inclusive, qualquer vacina de covid que é perdida hoje, a culpa é do discurso antivacina. E essa cifra tem que ser colocada na mesa”, declarou.
Imunização reduz o risco de casos graves
A vacinação é apontada pelas autoridades sanitárias como uma das principais formas de proteção contra as complicações da covid-19. Durante a pandemia, a doença também esteve associada a quadros graves em crianças, incluindo a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, uma reação inflamatória que pode atingir diferentes órgãos.
De acordo com os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, mais de 23 mil crianças de até 11 anos desenvolveram SRAG causada pela covid-19 entre 2020 e 2022, período em que foram registradas 1.067 mortes nessa faixa etária.
A segurança dos imunizantes também é monitorada continuamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Eder Gatti, as vacinas passaram por estudos clínicos e continuam sendo avaliadas após sua disponibilização à população. Entre as reações mais comuns estão febre e dor no local da aplicação, geralmente leves e passageiras.
A atualização do cartão de vacinação das crianças e a busca por orientação nos serviços de saúde são medidas importantes para verificar quais doses estão pendentes e completar o esquema recomendado. A vacinação deve seguir as orientações do Ministério da Saúde e a avaliação dos profissionais responsáveis pela imunização.



