MG termina eleições com 212 denúncias de assédio eleitoral
Estado ficou em segundo lugar no país em registros feitos ao Ministério Público do Trabalho; Itaúna teve sete denúncias de propaganda eleitoral pelo Pardal no segundo turno e Itatiaiuçu não registrou ocorrências
Minas Gerais encerrou as eleições gerais de 2026 com 212 denúncias de assédio eleitoral registradas no Ministério Público do Trabalho (MPT). O número coloca o estado na segunda posição do ranking nacional. Em todo o país, foram contabilizadas 1.939 denúncias até o encerramento do segundo turno, realizado em 25 de outubro.
No fim do primeiro turno, Minas Gerais tinha 110 denúncias, enquanto o total nacional era de 991 registros. Apesar do crescimento entre as duas etapas da eleição, os números de 2026 ficaram abaixo dos registrados em 2022, quando Minas Gerais chegou a 654 denúncias de assédio eleitoral e ocupou a liderança nacional.
O assédio eleitoral ocorre quando a relação de trabalho é utilizada para pressionar, constranger, intimidar ou tentar influenciar a escolha política de trabalhadores. Entre as situações que podem caracterizar a prática estão ameaças, promessas de vantagens, uso da posição hierárquica ou outras formas de interferência na liberdade de voto.
Denúncias de propaganda
Além dos casos de assédio eleitoral, a Justiça Eleitoral recebeu denúncias de possíveis irregularidades relacionadas à propaganda por meio do Pardal, ferramenta que permite à população comunicar situações que possam contrariar as regras eleitorais.
Em Minas Gerais, o sistema contabilizava, até o encerramento do segundo turno, 869 denúncias, distribuídas por 192 municípios. A propaganda na internet foi o tipo de ocorrência mais frequente, enquanto partidos, coligações e federações apareceram como os principais alvos das denúncias.
Belo Horizonte concentrou o maior número de registros, com 218 denúncias. Na sequência aparecem Juiz de Fora (31), Bambuí (29), Uberlândia (28), Ipatinga (27), João Monlevade (21), Contagem (18), Ribeirão das Neves (17), Montes Claros (14) e Paraopeba (13).
Na região, Itaúna registrou sete denúncias pelo Pardal no segundo turno, enquanto Itatiaiuçu não teve registros no período.
No primeiro turno, o cenário havia sido diferente. Minas Gerais contabilizava 6.045 denúncias pelo Pardal, distribuídas por 433 municípios. Naquele momento, as ocorrências mais frequentes estavam relacionadas a vias públicas, e o cargo mais denunciado era o de deputado estadual. Itaúna já havia registrado 39 denúncias.
Fiscalização continua após a votação
Com o encerramento da votação, o acompanhamento das denúncias de assédio eleitoral não chega necessariamente ao fim. O MPT informou que permanece atento a possíveis casos de retaliação contra trabalhadores em razão de sua escolha política durante o período eleitoral.
A preocupação ganha relevância diante da polarização política registrada durante as eleições e da quantidade de denúncias recebidas pelos órgãos de fiscalização. A legislação garante ao eleitor o direito de escolher livremente seus candidatos, sem sofrer pressão ou consequências no ambiente de trabalho por sua opção política.



