BARRAGEM SERRA AZUL - Sete anos após acionamento, famílias cobram reparação
Mais de 2 mil moradores vêm sendo impactados desde 2019; barragem segue em nível máximo de emergência e descaracterização só deve terminar em 2032
No mês de fevereiro, moradores de Itatiaiuçu marcaram uma data que ainda provoca incerteza: os sete anos do acionamento do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM) da ArcelorMittal. Desde 2019, cerca de 90 famílias foram retiradas de suas casas, e mais de 2 mil pessoas tiveram suas vidas impactadas. Ao todo, 226 imóveis localizados na chamada Zona de Autossalvamento (ZAS) foram atingidos.
Para lembrar a data, no dia 8 de fevereiro, moradores atingidos realizaram um ato simbólico e cobraram o cumprimento integral das medidas previstas no Termo de Acordo Complementar assinado em 2025, que trata da reparação dos danos.
Entre os relatos, o sentimento predominante ainda é de insegurança. “Faz sete anos desde o acionamento do PAEBM. Desde então, muitas pessoas estão tentando seguir com suas vidas, algumas conseguiram elevar o patamar de vida, mas há algumas outras ainda destruídas. Com medo. Mesmo a gente tendo a ECJ, o risco ainda existe. As crianças perguntam: Será que algum dia a barragem vai estourar? Não sabemos responder”, confidenciou a atingida de Vieiras Fabiana Lima.
Outro atingido, José Roberto, afirmou que houve avanços, mas que ainda há muito a ser resolvido. “Algumas coisas já estão sendo implementadas nas nossas comunidades. Já é uma conquista. Mas precisamos conquistar muitas outras coisas. A gente perdeu também, não só ganhou. Mas é a nossa organização popular que trouxe conquistas, implementar ações em cada comunidade, melhoras em cada comunidade, melhora no nosso município. Isso é a coisa mais importante, que é a organização popular”.
Segundo dados da Agência Nacional de Mineração, a estrutura permanece em nível 3 de emergência, o mais alto da escala. Isso significa que a barragem não possui declaração de estabilidade e apresenta risco elevado, o que impede o retorno das famílias.
A descaracterização, processo que elimina definitivamente o risco da barragem, já foi iniciada, mas a previsão de conclusão é apenas 2032. Enquanto isso, famílias seguem entre indenizações e a espera por uma solução definitiva. Sete anos depois, o rompimento não aconteceu, mas as consequências do risco continuam presentes no cotidiano de quem teve a vida interrompida pela chamada “lama invisível”. (Com informações da Aedas)




