SANEAMENTO BÁSICO - Itatiaiuçu ainda investe abaixo do ideal por habitante

Com cerca de R$ 60 por morador, valor é 71,52% inferior ao recomendado pelo Plano Nacional de Saneamento Básico

SANEAMENTO BÁSICO - Itatiaiuçu ainda investe  abaixo do ideal por habitante
Foto: Reprodução

Mesmo com a meta nacional de universalização do saneamento básico até 2033, a realidade do país ainda é marcada por desafios no acesso à água tratada e à coleta de esgoto, e em Itatiaiuçu não é diferente. Dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), reunidos pelo Instituto Trata Brasil, apontam que 44,2% da população do município, cerca de 6 mil pessoas, não têm acesso à água tratada.

O índice de abastecimento revela que pouco mais da metade dos moradores é atendida: 55,8% da população total e 54,8% da população urbana contam com acesso à água. Na prática, isso significa que quase metade dos moradores da área urbana ainda enfrenta dificuldades para acessar um serviço básico essencial.

No caso do esgotamento sanitário, o cenário também preocupa. Embora 78,7% da população tenha acesso à coleta de esgoto, aproximadamente 2.900 pessoas ainda vivem sem o serviço.

Essa deficiência tem reflexos diretos na saúde pública. Em Itatiaiuçu, foram registradas 16 internações por doenças de veiculação hídrica. Apesar de não haver mortes associadas, os casos indicam um quadro de vulnerabilidade que pode se agravar com a permanência das condições atuais.

Além dos impactos sociais, o saneamento precário também afeta a economia local. Em 2024, o investimento no setor foi de R$ 827,8 mil, com valor per capita de R$ 60,85, montante 71,52% abaixo do recomendado pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), que estima a necessidade de R$ 225 por habitante.

No cenário nacional, o estudo Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil 2025 mostra que o país ainda tem cerca de 34 milhões de pessoas sem acesso à água tratada e mais de 90 milhões sem coleta de esgoto. A legislação estabelece metas ambiciosas, mas especialistas alertam que o avanço depende de planejamento, investimentos e parcerias.

Dados do Censo reforçam cenário

Informações do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, também evidenciam desafios estruturais no município. Segundo o levantamento, 65,29% dos domicílios estavam conectados à rede de esgoto, enquanto 72,98% eram abastecidos pela rede geral de água.

Por outro lado, os dados mostram avanços em indicadores básicos: 99,89% dos domicílios possuem banheiro de uso exclusivo e 95,19% contam com serviço de coleta de lixo.