OPORTUNIDADE - Inscrições para doutorado e pós-doutorado no exterior

Chamada Pública Atlânticas abre inscrições para mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas

OPORTUNIDADE - Inscrições para doutorado  e pós-doutorado no exterior
Foto: Reprodução GOV

A partir do dia 30 de setembro, estarão abertas as inscrições para a segunda edição da Chamada Pública Atlânticas – Beatriz Nascimento. A iniciativa tem como objetivo selecionar mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas para desenvolver parte de suas pesquisas de doutorado ou projetos de pós-doutorado em instituições no exterior.

As bolsas poderão ser implementadas entre março de 2027 e dezembro de 2028 e serão ofertadas em três modalidades. As categorias Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Júnior (DEJ) e Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Sênior (DES) destinam-se a alunas regularmente matriculadas em cursos de doutorado no Brasil, possibilitando o desenvolvimento de projetos de pesquisa, estudos, treinamentos e capacitação no exterior, com duração de até 12 meses. Já a modalidade Pós-Doutorado no Exterior (PDE) é voltada para pesquisadoras que já possuem título de doutorado, oferecendo oportunidades de atualização e aperfeiçoamento acadêmico por um período de seis a doze meses.

Além de incentivar a internacionalização da pesquisa brasileira, a chamada busca fortalecer a trajetória acadêmica dessas mulheres, ampliar o desenvolvimento científico e tecnológico, estimular ações de educação, popularização e divulgação científica para diferentes públicos, entre outros objetivos previstos no edital.

O edital completo, com informações sobre critérios de elegibilidade, documentação necessária e cronograma de inscrições, está disponível no portal gov.br.

Contexto

Durante décadas, o ensino superior brasileiro, especialmente nos programas de pós-graduação, foi predominantemente ocupado por estudantes pertencentes às camadas mais privilegiadas da sociedade. Com a implementação de políticas de ações afirmativas, como as cotas raciais e sociais, esse cenário começou a se transformar.

Segundo dados da Agência Brasil, referentes a 2021, estudantes pretos, pardos e indígenas passaram a representar 52,4% das matrículas nas instituições públicas de ensino superior, percentual significativamente superior aos 31,5% registrados em 2001. Apesar do avanço, esses números englobam toda a graduação e a pós-graduação, sem detalhar especificamente a participação de mulheres nos cursos de doutorado e pós-doutorado.

Um levantamento publicado em 2024 pela Revista Pesquisa FAPESP evidencia que a representatividade racial na formação de doutores também evoluiu, embora ainda esteja distante da equidade. A participação de doutores pretos passou de 1,8% em 1996 para 6,2% em 2021, enquanto a de doutores pardos cresceu de 9,7% para 23,3% no mesmo período. A coordenadora do estudo, Sofia Daher, assessora técnica do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), destaca que, “embora tenha havido várias ações para ampliar a inclusão racial na pós-graduação brasileira, a assimetria no acesso ainda é muito grande”. Entre os povos indígenas, a desigualdade é ainda mais evidente: em 2021, o país registrou apenas 196 mestres e 54 doutores indígenas.

Diante desse cenário, iniciativas como a Chamada Pública Atlânticas – Beatriz Nascimento buscam ampliar o acesso de mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas aos espaços de produção científica e acadêmica internacional. Entre seus objetivos está o fortalecimento de políticas públicas voltadas a esses grupos, promovendo maior participação em espaços de poder e decisão, autonomia econômica, garantia de direitos e enfrentamento das desigualdades e das diversas formas de violência que ainda os afetam.