FIEMG debate minerais críticos e amplia diálogo sobre cooperação internacional
Fotos: Sebastião Jacinto Junior Encontro reuniu representantes da indústria e de diferentes países para discutir tecnologia, investimentos, cadeias produtivas e o papel de Minas Gerais na agenda mineral Os desafios e as oportunidades relacionados aos minerais críticos, à transição energética e ao desenvolvimento de cadeias produtivas de maior valor agregado estiveram no centro dos debates realizados nesta terça-feira (18/8), na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte. A discussão ocorreu durante reunião conjunta do Conselho de Relações Internacionais, do Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Câmara de Metalurgia, Siderurgia e Mineração. O encontro reuniu representantes da indústria, especialistas e representantes internacionais para abordar temas como terras raras, lítio, cobre, inovação tecnológica, processamento mineral, investimentos e cooperação internacional. Na abertura, o presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, Alexandre Mello, ressaltou o caráter transversal da agenda de minerais críticos e sua relação com questões econômicas, ambientais, políticas e geopolíticas. Segundo ele, o Brasil reúne oportunidades importantes, mas precisa ampliar a pesquisa mineral e avançar na transformação de seus recursos em desenvolvimento econômico e tecnológico. “Temos uma agenda ampla pela frente, com desafios e oportunidades que exigem diálogo entre indústria, governo, academia e parceiros internacionais”, afirmou. Mello também destacou o crescimento das discussões sobre lítio e terras raras e mencionou os avanços institucionais relacionados à Política Nacional de Minerais Críticos. O presidente da Câmara de Metalurgia, Siderurgia e Mineração, Bruno Melo, chamou a atenção para a necessidade de identificar os obstáculos que podem retardar o desenvolvimento do setor mineral. “Mais do que nunca, a atividade mineral é essencial para o progresso e o desenvolvimento do Brasil. Tudo o que pudermos fazer para contribuir com o fortalecimento e o avanço desse setor deve ser tratado como uma prioridade”, destacou. Já o presidente do Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Mário Campos, relacionou o desenvolvimento mineral à transição energética, à descarbonização e às novas demandas da economia mundial. Ele também abordou os desafios relacionados ao licenciamento ambiental. “Nosso desafio é transformar todo esse potencial em desenvolvimento efetivo para Minas Gerais e para o Brasil, com segurança, sustentabilidade, competitividade e geração de oportunidades”, afirmou. Terras raras e autonomia tecnológica Durante a palestra “Terras Raras, Inovação e Autonomia Tecnológica: o papel de Minas Gerais na indústria do futuro”, o coordenador do CIT SENAI ITR, André Luís Pimenta, apresentou oportunidades brasileiras na cadeia de terras raras e destacou o potencial de Minas Gerais para avançar além da extração mineral. Segundo Pimenta, a agregação de valor aumenta à medida que a cadeia avança da mineração e do beneficiamento para etapas como separação, refino e produção de óxidos, metais, ligas e ímãs permanentes. “Ter acesso ao recurso mineral é o ponto de partida. Mas o verdadeiro valor estratégico surge quando conseguimos agregar conhecimento e tecnologia à transformação desse recurso”, afirmou. Cooperação internacional A relação com a China foi abordada pelo cônsul comercial do país no Rio de Janeiro, Jing Yanhui, que destacou a crescente importância dos minerais críticos para novas fontes de energia, materiais avançados e indústrias de alta tecnologia. Segundo ele, Brasil e China possuem complementaridades em suas estruturas industriais e possibilidades de ampliar a cooperação nas áreas de minerais críticos e indústria verde. “Estamos dispostos a aprofundar o diálogo e a cooperação industrial com os diferentes setores de Minas Gerais, apoiando uma aproximação ainda maior entre entidades empresariais, empresas e instituições de pesquisa dos dois lados”, afirmou. A cônsul comercial do Canadá, Helen Belgrave, tratou das possibilidades de ampliação das relações entre Brasil e Canadá nos segmentos de exploração, processamento, engenharia, tecnologia e inovação. “Brasil e Canadá têm uma relação muito complementar na área de minerais críticos e uma longa trajetória de investimentos no setor mineral. Há espaço para ampliar essa cooperação, não apenas na exploração, mas também no processamento, na tecnologia, na engenharia e no desenvolvimento de novas soluções”, afirmou. Já o conselheiro econômico da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Matthew Lowe, destacou o potencial brasileiro para avançar no processamento e refino de minerais e na fabricação de produtos de maior valor agregado. “Os Estados Unidos não veem o Brasil apenas como uma fonte de matérias-primas, mas como um país com capacidade para desenvolver uma cadeia industrial completa, da mineração ao processamento, refino e fabricação de produtos
Fotos: Sebastião Jacinto Junior
Encontro reuniu representantes da indústria e de diferentes países para discutir tecnologia, investimentos, cadeias produtivas e o papel de Minas Gerais na agenda mineral
Os desafios e as oportunidades relacionados aos minerais críticos, à transição energética e ao desenvolvimento de cadeias produtivas de maior valor agregado estiveram no centro dos debates realizados nesta terça-feira (18/8), na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte.
A discussão ocorreu durante reunião conjunta do Conselho de Relações Internacionais, do Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Câmara de Metalurgia, Siderurgia e Mineração. O encontro reuniu representantes da indústria, especialistas e representantes internacionais para abordar temas como terras raras, lítio, cobre, inovação tecnológica, processamento mineral, investimentos e cooperação internacional.
Na abertura, o presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, Alexandre Mello, ressaltou o caráter transversal da agenda de minerais críticos e sua relação com questões econômicas, ambientais, políticas e geopolíticas. Segundo ele, o Brasil reúne oportunidades importantes, mas precisa ampliar a pesquisa mineral e avançar na transformação de seus recursos em desenvolvimento econômico e tecnológico.
“Temos uma agenda ampla pela frente, com desafios e oportunidades que exigem diálogo entre indústria, governo, academia e parceiros internacionais”, afirmou.
Mello também destacou o crescimento das discussões sobre lítio e terras raras e mencionou os avanços institucionais relacionados à Política Nacional de Minerais Críticos.
O presidente da Câmara de Metalurgia, Siderurgia e Mineração, Bruno Melo, chamou a atenção para a necessidade de identificar os obstáculos que podem retardar o desenvolvimento do setor mineral.
“Mais do que nunca, a atividade mineral é essencial para o progresso e o desenvolvimento do Brasil. Tudo o que pudermos fazer para contribuir com o fortalecimento e o avanço desse setor deve ser tratado como uma prioridade”, destacou.
Já o presidente do Conselho de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Mário Campos, relacionou o desenvolvimento mineral à transição energética, à descarbonização e às novas demandas da economia mundial. Ele também abordou os desafios relacionados ao licenciamento ambiental.
“Nosso desafio é transformar todo esse potencial em desenvolvimento efetivo para Minas Gerais e para o Brasil, com segurança, sustentabilidade, competitividade e geração de oportunidades”, afirmou.

- Terras raras e autonomia tecnológica
Durante a palestra “Terras Raras, Inovação e Autonomia Tecnológica: o papel de Minas Gerais na indústria do futuro”, o coordenador do CIT SENAI ITR, André Luís Pimenta, apresentou oportunidades brasileiras na cadeia de terras raras e destacou o potencial de Minas Gerais para avançar além da extração mineral.
Segundo Pimenta, a agregação de valor aumenta à medida que a cadeia avança da mineração e do beneficiamento para etapas como separação, refino e produção de óxidos, metais, ligas e ímãs permanentes.
“Ter acesso ao recurso mineral é o ponto de partida. Mas o verdadeiro valor estratégico surge quando conseguimos agregar conhecimento e tecnologia à transformação desse recurso”, afirmou.
- Cooperação internacional
A relação com a China foi abordada pelo cônsul comercial do país no Rio de Janeiro, Jing Yanhui, que destacou a crescente importância dos minerais críticos para novas fontes de energia, materiais avançados e indústrias de alta tecnologia.
Segundo ele, Brasil e China possuem complementaridades em suas estruturas industriais e possibilidades de ampliar a cooperação nas áreas de minerais críticos e indústria verde.
“Estamos dispostos a aprofundar o diálogo e a cooperação industrial com os diferentes setores de Minas Gerais, apoiando uma aproximação ainda maior entre entidades empresariais, empresas e instituições de pesquisa dos dois lados”, afirmou.
A cônsul comercial do Canadá, Helen Belgrave, tratou das possibilidades de ampliação das relações entre Brasil e Canadá nos segmentos de exploração, processamento, engenharia, tecnologia e inovação.
“Brasil e Canadá têm uma relação muito complementar na área de minerais críticos e uma longa trajetória de investimentos no setor mineral. Há espaço para ampliar essa cooperação, não apenas na exploração, mas também no processamento, na tecnologia, na engenharia e no desenvolvimento de novas soluções”, afirmou.
Já o conselheiro econômico da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Matthew Lowe, destacou o potencial brasileiro para avançar no processamento e refino de minerais e na fabricação de produtos de maior valor agregado.
“Os Estados Unidos não veem o Brasil apenas como uma fonte de matérias-primas, mas como um país com capacidade para desenvolver uma cadeia industrial completa, da mineração ao processamento, refino e fabricação de produtos acabados”, afirmou.
- Competitividade e integração das cadeias
O cônsul honorário do Japão em Belo Horizonte, Wilson Nélio Brumer, defendeu que o aproveitamento das oportunidades relacionadas aos minerais críticos depende também do aumento da competitividade brasileira, do desenvolvimento tecnológico e de maior integração entre os diferentes elos das cadeias produtivas.
“Se não transformarmos o Brasil em um país competitivo, os nossos esforços serão em vão. Existem muitas oportunidades em relação aos minerais críticos, mas precisamos, como sociedade, transformar o país em mais competitivo”, afirmou.
Na discussão sobre uma agenda sul-americana para cobre e lítio, o líder de Estudos de Mineração da Diretoria de Estudos da Comissão Chilena do Cobre (Cochilco), Ronald Monsalve Helfant, destacou o potencial da região para combinar recursos minerais, experiência produtiva, universidades, empresas fornecedoras e centros de pesquisa.
“A América do Sul pode contribuir para tornar a oferta mundial de cobre e lítio mais diversificada, sustentável e resiliente”, afirmou.
- Experiência finlandesa para a cadeia do lítio
A cônsul honorária da Finlândia em Minas Gerais, Patrícia Coutinho, apresentou a experiência finlandesa no desenvolvimento de uma cadeia integrada do lítio e as possibilidades de aplicação desse conhecimento em Minas Gerais, especialmente no Vale do Lítio, no Jequitinhonha. Também participou da agenda Felipe Roberto da Silva, da empresa Metsu.
“Podemos contribuir para a construção de uma cadeia produtiva mais eficiente, especialmente ao demonstrar a viabilidade de Minas Gerais avançar no domínio do ciclo completo de produção do lítio”, afirmou Patrícia.
Entre os exemplos apresentados esteve um projeto finlandês que integra mineração e refino químico de alta pureza para baterias. A experiência utiliza uma rota alcalina que, conforme apresentado durante o encontro, permite reduzir em até 60% o consumo de água em comparação aos processos tradicionais, além de operar com reaproveitamento hídrico.

- Tarifas dos Estados Unidos e impactos para Minas
No encerramento, Alexandre Mello abordou a ampliação das tarifas dos Estados Unidos e seus impactos sobre diferentes setores da economia brasileira, incluindo segmentos relevantes para Minas Gerais, como máquinas e equipamentos, materiais elétricos, rochas ornamentais, refratários, químicos, cosméticos, joias e manufaturados diversos.
Parte dos produtos foi preservada das novas tarifas, entre eles café, carne bovina, suco de laranja, petróleo, celulose, medicamentos, aeronaves, vergalhões, ferroligas, ouro, minérios e alguns insumos críticos.
“Agora, o governo brasileiro avalia a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, mas esse é um processo mais longo. Paralelamente, as negociações diplomáticas com os Estados Unidos continuam. A expectativa é que seja possível avançar no diálogo e minimizar os impactos para os dois países sem a necessidade de adoção de contramedidas”, destacou.
As fotos da reunião conjunta estão disponíveis no Flickr do Sistema FIEMG.
Denise Lucas
Imprensa FIEMG



