Empresa anuncia lucro de R$ 1,52 bilhão
Uma semana antes de anunciar o encerramento da produção de aço em Divinópolis, gerando cerca de 600 demissões de trabalhadores, o anúncio da empresa foi de obtenção de lucro e distribuição de dividendos aos acionistas...
A primeira notícia, publicada no dia 26 de outubro, um dia após a realização do segundo turno das eleições para presidente da República, era de obtenção de lucro de R$ 1.52 bilhão. Naquele dia, o site de notícias UOL, na sua área de Economia, informava que a empresa Gerdau apresentou resultado de lucro líquido de R$ 1,52 bilhão no terceiro trimestre do ano.
O EBITDA, que aponta o lucro antes da incidência de jutos e impostos, foi de R$ 3,82 bilhões. Também foi informado na ocasião que a empresa distribuiria R$ 879 milhões em dividendos a seus acionistas no final do ano. Portanto, a empresa demonstrava, naquela divulgação, uma saúde financeira excelente. A segunda notícia, publicada oito dias depois, ou seja, no dia 3 de novembro informação, também da direção da Gerdau, foi sobre o encerramento da produção de aço na sua usina localizada na vizinha cidade de Divinópolis.
Medida teria sido por “ajustes de mercado”
Conforme avaliações de especialistas, analisando as duas notícias, a medida em Divinópolis não aponta crise na empresa, nem mesmo uma situação generalizada na economia nacional. Trata-se de uma operação de ajuste de mercado, realizada pela direção do grupo industrial. Dentre as situações que levaram à medida estão dois fatores importantes: a concorrência interna, quando tem chegado aço dos chineses a custos “artificiais” – ou seja, vendidos a preços menores, com suspeitas de dumping já questionada pelo Brasil (venda de produto a custo menor do que o gasto na produção).
E, ainda, a questão do Tarifaço do Trump, que taxou o aço brasileiro em 50% para a entrada nos Estados Unidos, até então, o maior importador do produto nacional. Por parte do Governo Federal, segundo apurações, foi taxado o aço importado da China em 25% e feita a denúncia de dumping, que está em investigação. Também convocou reunião com os governos estaduais para discutir os impactos do tarifaço e buscar medidas de enfretamento à situação.
Porém, na ocasião das medidas, o então governador de Minas, Romeu Zema, não quis participar do encontro, assim como seus pares, governadores do grupo da direita, politizando o evento. Pelo contrário, além de Zema, os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Claudio Castro (PL-RJ), Jorginho Mello (PL-SC) e Ronaldo Caiado (União-GO) se posicionaram em apoio ao presidente americano, Donald Trump, autor das medidas do tarifaço contra o País.




