Anvisa vai aumentar fiscalização de canetas emagrecedoras manipuladas

Objetivo é coibir importação irregular e uso sem indicação clínica

Anvisa vai aumentar fiscalização de canetas emagrecedoras manipuladas
Foto: stefamerpik/Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai intensificar a fiscalização sobre canetas emagrecedoras manipuladas, com o objetivo de prevenir riscos à saúde e reforçar o controle sanitário desses medicamentos.

Os injetáveis agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, ganharam visibilidade nos últimos anos. Com isso, também aumentaram os relatos de eventos adversos e o uso off label (fora das indicações previstas em bula), especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica. 

Em fevereiro, a Anvisa emitiu um alerta sobre o risco de pancreatite associado ao uso desses medicamentos.

De acordo com a agência, a importação de insumos farmacêuticos para a manipulação dessas canetas tem sido incompatível com a demanda do mercado nacional. Apenas no segundo semestre de 2025, foram importados 130 quilos de insumos, quantidade suficiente para produzir cerca de 25 milhões de doses.

Outro dado aponta que, em 2026, a Anvisa realizou 11 inspeções em farmácias de manipulação e empresas importadoras. As ações resultaram na interdição de oito estabelecimentos por problemas técnicos e falhas no controle de qualidade.

Entre os principais riscos sanitários identificados estão a produção sem prescrição individualizada (exigida para medicamentos manipulados), falhas nos processos de esterilização, deficiências no controle de qualidade e o uso de insumos sem identificação de origem e composição. Também foram verificadas irregularidades como o uso indevido de nomes comerciais, além da divulgação e venda de produtos sem registro.

A Anvisa reforça que, no caso de medicamentos injetáveis, como as canetas, é essencial garantir padrões rigorosos de esterilidade e pureza dos insumos para assegurar a segurança dos pacientes.

Segundo a agência, a nova norma deve abranger todas as etapas da cadeia produtiva, desde a importação dos insumos até a preparação final. O regulamento prevê exigências de rastreabilidade, controle de qualidade, qualificação de fabricantes e fornecedores, além da definição de testes mínimos obrigatórios.