Justiça Eleitoral inicia preparação das urnas
Equipamentos recebem dados, passam por testes e serão lacrados antes da votação; 42 urnas serão enviadas para Itatiaiuçu neste ano
Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 e as urnas eletrônicas que serão utilizadas pelos eleitores de Minas Gerais e de todo o país já estão passando pelos procedimentos de preparação para a votação. Em Minas Gerais, 55.820 equipamentos serão preparados para receber os votos de mais de 16 milhões de eleitoras e eleitores no dia 4 de outubro.
Em Itatiaiuçu, conforme dados do Cartório Eleitoral, serão utilizadas 38 urnas de seção, além de outras quatro destinadas a eventuais contingências, totalizando 42 equipamentos. Em Itaúna, serão 232 urnas de seção e outras 32 urnas de contingência, chegando a 264 equipamentos.
A preparação das urnas é realizada pela Justiça Eleitoral e inclui uma série de procedimentos antes que os equipamentos sejam encaminhados aos locais de votação. Nessa etapa, são inseridos o sistema de votação, os dados das candidatas e dos candidatos e as informações correspondentes às eleitoras e aos eleitores de cada seção. Também é inserida a mídia em que serão gravados os resultados registrados em cada equipamento.
Após a carga, as urnas passam por testes de funcionamento. São verificados itens como teclado, vídeo, áudio, impressora e os sistemas instalados. Concluídos os testes, cada equipamento recebe os lacres, que têm a função de garantir a inviolabilidade da urna até o dia da votação. Antes do início da votação, os mesários conferem os lacres. Caso algum deles apresente dano ou sinal de violação, a urna é substituída por uma unidade de contingência, que também passou pelos procedimentos de preparação.
As urnas só começam a funcionar no dia da eleição, a partir das 7h, quando é emitida a zerésima, documento que comprova que não há votos registrados no equipamento antes do início da votação.
30 anos de urna eletrônica
A preparação dos equipamentos para mais uma eleição ocorre no mesmo ano em que o Brasil marca 30 anos da implantação da urna eletrônica. Criado por um grupo de engenheiros que incluiu militares das Forças Armadas, o sistema eletrônico de votação começou a ser utilizado pela Justiça Eleitoral em 1996 e transformou o processo de votação e apuração no país.
Antes da informatização, as eleições brasileiras dependiam de cédulas de papel e de uma série de etapas manuais de contagem e consolidação dos votos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esse modelo era mais suscetível a erros humanos e a diferentes tipos de fraude durante a votação e a apuração.
A adoção da urna eletrônica permitiu reduzir significativamente o tempo de apuração. A partir de 1996, a contagem passou a ser automatizada, fazendo com que os resultados das eleições pudessem ser conhecidos poucas horas após o encerramento da votação.
Além disso, ao longo das três décadas, os equipamentos e os sistemas utilizados pela Justiça Eleitoral passaram por sucessivos aperfeiçoamentos. O TSE afirma que, desde a implantação da urna eletrônica, não houve fraude comprovada capaz de alterar o resultado de uma eleição ou quebrar o sigilo do voto.
A segurança do sistema eletrônico não está concentrada apenas na urna. Ela envolve diferentes etapas do processo eleitoral. Entre os mecanismos utilizados estão assinaturas digitais, criptografia, rastreabilidade de arquivos, lacração dos sistemas, testes públicos de segurança e procedimentos de auditoria. O TSE informa que o sistema conta atualmente com aproximadamente 30 camadas de segurança.
Além da segurança e da velocidade na apuração, a evolução da urna eletrônica trouxe recursos voltados à acessibilidade. Entre eles estão teclado com identificação tátil, saída de áudio para fones de ouvido, sintetizador de voz para leitura das teclas e nomes das candidaturas e intérprete de Libras na tela.




