EVACUAÇÃO EM BRUMADINHO - Fernão Dias e represa do Rio Manso na mancha de inundação de barragem

EVACUAÇÃO EM BRUMADINHO - Fernão Dias e represa do Rio Manso  na mancha de inundação de barragem
Foto: Divulgação/Google Maps

O maior reservatório de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Sistema Rio Manso, e uma das principais rodovias do Brasil, a Fernão Dias (BR-381), estão na mancha de inundação da barragem B1-A, da mineradora Emicon, localizada na Mina do Quéias, em Brumadinho. A estrutura teve a classificação de emergência elevada para o nível 2, o penúltimo na escala de alerta, que vai até 3, conforme classificação da Agência Nacional de Mineração (ANM).

No nível 2 de emergência, não há confirmação de que o rompimento seja iminente, mas são necessárias medidas imediatas de prevenção, incluindo a evacuação da chamada Zona de Autossalvamento (ZAS), que são aquelas áreas onde não há tempo suficiente para atuação das autoridades em caso de colapso.

Diante disso, cerca de 40 pessoas que vivem no entorno da barragem terão que deixar suas casas. A evacuação foi informada pela Defesa Civil Municipal, após notificação do órgão federal. Conforme divulgado pela ANM, a evacuação foi determinada em razão da falta de estudos atualizados sobre a estabilidade da estrutura. 

Interferência na região

O mapa da inundação consta no Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração, da ANM. Conforme o documento, os rejeitos invadiriam a BR-381, principal rota entre Belo Horizonte e São Paulo. Além disso, chegariam até o reservatório Rio Manso, responsável por captar e tratar água para 3,5 milhões de pessoas na Grande BH.

O sistema Rio Manso faz parte do Sistema Paraopeba, juntamente com os reservatórios Serra Azul e Vargem das Flores, e interfere nos municípios de Brumadinho, Rio Manso, Itatiaiuçu, Bonfim e Crucilândia, que fazem parte da área de influência do sistema. Esse sistema garante o abastecimento de cerca de 3,5 milhões de pessoas na Região Metropolitana. 

Dados desatualizados

Segundo o texto, os estudos conduzidos por auditores e projetistas indicaram que os resultados obtidos não podem ser considerados conclusivos, uma vez que há “insuficiências nas investigações geotécnicas”. Novas investigações já estão sendo realizadas, mas os dados ainda não foram integrados às análises apresentadas, devido a “questões contratuais pendentes”. “Diante desse cenário, a ANM determinou a contratação de uma empresa independente para realizar nova análise, considerando todas as informações disponíveis”, informou.

“É importante ressaltar que não foram detectadas anomalias estruturais que indiquem risco iminente de ruptura da barragem. A decisão foi tomada durante o período de estiagem, o que reduz os riscos hidrológicos. A medida visa garantir que a evacuação da população ocorra de forma segura e organizada”, reforça a ANM.

Além dos dados desatualizados, o barramento está inativado e embargado uma vez que a empresa não apresentou a Declaração de Conformidade e Operacionalidade (DCO) referente a 2025. A situação reforça as preocupações levantadas pela ANM e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sobre o abandono da estrutura e o descumprimento de medidas de segurança previstas em acordo firmado pela empresa. Outros pontos que geram preocupação é a ausência de sistemas automatizados de alerta e videomonitoramento.

Comissão municipal

Em resposta ao alerta da ANM, a Prefeitura de Brumadinho criou a Comissão Estratégica Municipal, composta por representantes das principais secretarias, além da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. O grupo vai coordenar ações técnicas, acompanhar a evacuação e manter a população informada. Pelas redes sociais, o prefeito Gabriel Parreiras (PRD), voltou a reforçar que a medida é preventiva e que não há riscos imediatos.