REPARAÇÃO AMBIENTAL - TAC 2 prevê mapeamento de nascentes e córregos
No mês em que foi comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, uma das medidas de reparação previstas para Itatiaiuçu chama atenção pela relação direta com a preservação dos recursos naturais do município. O Segundo Termo de Acordo Complementar (TAC 2), firmado em 2025 entre comunidades atingidas, Município e ArcelorMittal, prevê ações voltadas ao diagnóstico e à proteção de nascentes, rios e córregos da região.
Itatiaiuçu possui uma extensa rede de recursos hídricos, formada pelos rios São João, Veloso e Serra Azul, que integram a sub-bacia do Rio Manso, importante sistema responsável pelo abastecimento de parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Segundo a Assessoria Técnica Independente Aedas, uma das medidas de reparação previstas busca mapear nascentes, rios e córregos, identificando áreas vulneráveis à contaminação, além de levantar informações sobre o potencial hídrico do território e identificar fatores que possam comprometer a qualidade das águas, como fossas rudimentares próximas a cursos d’água, criação de animais em áreas de preservação, uso inadequado de fertilizantes e agrotóxicos e outras fontes potenciais de poluição.
De acordo com o assessor técnico da Aedas Itatiaiuçu, Kleiton Bezerra, o trabalho também deverá levantar informações sobre o comportamento hídrico dos mananciais da região. “A ideia de uma das medidas é mapear principalmente o esgotamento da região, quem tem fossas rudimentares próximas a rios, chiqueiros e galinheiros que ficam próximos à cursos d’água, uso de fertilizantes e agrotóxicos, rejeitos e outras ameaças aos recursos hídricos. Uma outra medida também prevê o mapeamento do potencial hídrico da região, investigando a vazão dos córregos e identificando quais rios estão sempre com água, o comportamento desses mananciais durante o ano e o estado de conservação do ambiente em torno dessas águas.”, explicou.
Para moradores das comunidades atingidas, a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer a proteção ambiental em um território onde a mineração convive com importantes mananciais.
Moradora da comunidade de Vieiras, a professora Fabiana Lima destaca a relação histórica da população com os córregos da região. Segundo ela, a preservação das águas beneficia não apenas os moradores locais, mas também outros territórios conectados pelos rios que nascem em Itatiaiuçu. “Acho muito importante, porque água é vida, então a água que passa no fundo da casa da minha avó é uma água que vai parar lá no Rio São Francisco. Então é superimportante a gente aqui preservar para que outras pessoas possam usufruir desse recurso natural tão importante que é a água”, afirmou a atingida.
Além de subsidiar futuras ações de recuperação ambiental, o levantamento poderá contribuir para o planejamento de medidas voltadas à conservação dos recursos hídricos e à proteção das nascentes.
Assinado em maio de 2025, o TAC 2 prevê investimentos de R$ 300 milhões em medidas de reparação e compensação para as comunidades atingidas. Do total, cerca de R$ 215 milhões serão destinados a ações coletivas e difusas, incluindo iniciativas ambientais, enquanto aproximadamente R$ 85 milhões são destinados ao pagamento de prestações mensais aos moradores das comunidades de Pinheiros, Vieiras e Lagoa das Flores. (Com informações Aedas)



