ECONOMIA - IBRAM se encontra com Alckmin para falar de tarifaço

Instituto aponta riscos de tarifas recíprocas contra os EUA

ECONOMIA - IBRAM se encontra com  Alckmin para falar de tarifaço
Foto: Divulgação IBRAM

Na última segunda-feira, dia 21, o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) se reuniu com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, para avaliar os riscos de o Brasil estabelecer reciprocidade tarifária aos Estados Unidos (EUA).

Conforme avaliado pelo Instituto, uma eventual reação brasileira poderá elevar muito os preços de equipamentos importados dos EUA, essenciais para a mineração nacional. A retaliação, com taxação de importação de máquinas, atingiria a aquisição de equipamentos de maior porte, tais como caminhões acima de 100 toneladas de capacidade de carga, escavadeiras e carregadeiras para estes caminhões, moinhos e outros equipamentos de grandes dimensões, com elevação de custos da ordem de US$ 1 bilhão por ano.

O IBRAM defende uma negociação diplomática, mas firme, com os EUA, de modo a evitar a reciprocidade tarifária, o que causaria mais dificuldades à mineração do Brasil. Segundo Raul Jungmann, diretor-presidente do IBRAM, o Brasil precisa “tratar esta questão diplomaticamente, com firmeza, mas, sobretudo, procurando negociar saídas para o setor mineral”. 

O IBRAM afirma estar solidário com os esforços do governo e da iniciativa privada em buscar negociações com o governo norte-americano, a fim de prorrogar e até reverter a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, que irão vigorar a partir de 1º de agosto. 

Alckmin afirmou, durante a reunião, que o governo brasileiro dá preferência ao diálogo com os EUA para, pelo menos, conseguir mais prazo para a vigência das tarifas, “entre 60 e 90 dias”, para haver tempo hábil para negociar as várias questões envolvidas com a questão tarifária. 

Riscos

Ainda conforme destacado pelo IBRAM, outro item a ser observado é que o tarifaço pode influenciar o comportamento da balança comercial brasileira, que impacta toda a economia, uma vez que o saldo entre importações e exportações de minérios (saldo mineral de US$ 34,95 bilhões) responde por expressivos 47% do saldo comercial total do Brasil (salto total US$ 74,55 bilhões), conforme dados de 2024.

Em 2024, o Brasil exportou 4 milhões de toneladas de minérios para os EUA, o que correspondeu a 3,5% das exportações minerais brasileiras. Já as importações minerais brasileiras vieram principalmente dos EUA (19,8%), Rússia (16%), Austrália (13,3%) e Canadá (12,2%).

Os principais produtos minerais exportados pelo Brasil aos EUA são as pedras ornamentais, com US$ 711 milhões (46,5% das exportações para os EUA), minério de ferro (25,7%), ouro semimanufaturado (25,7%) e nióbio (10,6%). Estes serão os produtos mais impactados.

Segundo Raul Jungmann, “os valores de exportação e importação de minérios na corrente de comércio Brasil-EUA reforçam que há um saldo positivo para os Estados Unidos nesta balança, com importação no valor de US$ 1,58 bilhão, com a exportação de US$ 1,52 bilhão, resultando em um saldo positivo para os EUA”.

No total, o Brasil exportou cerca de 400 milhões de toneladas de produtos minerais no ano passado, um aumento de 2,6% em relação a 2023, movimentando US$ 43,4 bilhões (+0,9%). O minério de ferro respondeu por 68,7% das vendas, sendo a China o principal destino, com 69,7% do volume exportado. As importações minerais brasileiras, por outro lado, caíram 23,1% em valor, somando US$ 8,5 bilhões, e 1,6% em volume, totalizando 41,2 milhões de toneladas. 

Missão brasileira nos EUA

As mineradoras querem organizar uma missão aos EUA para tratar da questão tarifária com representantes de empresas norte-americanas. O IBRAM se reuniu, na quarta-feira, 23, com o Encarregado de Negócios e Embaixador interino dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para discutir a missão.

Segundo Gabriel Escobar, uma visita de empresários brasileiros da mineração aos seus pares americanos seria mais efetiva em setembro ou outubro, dado que o mês de agosto é de férias nos Estados Unidos.

O Embaixador demonstrou interesse na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos em preparação pelo governo brasileiro, bem como iniciativas parlamentares nesse mesmo contexto. O IBRAM destacou que a pauta do encontro será encaminhada ao setor para deliberações e possível desdobramento da conversa iniciada. (Com informações do IBRAM)