VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER - Município registrou 11 casos somente em janeiro
Dados de 2025 indicam crescimento de 23% em relação ao ano anterior e refletem cenário preocupante na região
Somente no primeiro mês de 2026, Itatiaiuçu registrou 11 casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. Os dados são da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais.
No mesmo período de 2025, foram contabilizadas 7 ocorrências; em 2024, 4 casos. O comparativo aponta crescimento nos registros já no início do ano. O cenário acompanha uma preocupação mais ampla diante de episódios recentes de violência de gênero no interior de Minas Gerais e em todo o país.
Em Itaúna, dois feminicídios já foram registrados em 2026. O primeiro caso envolve uma mulher de 35 anos, encontrada morta no dia 30 de janeiro, em um lago na comunidade rural do Calambau. O segundo ocorreu em 15 de fevereiro, quando uma mulher de 37 anos foi morta a tiros pelo ex-companheiro na entrada do prédio onde morava, na região central da cidade.
Aumento de registros
De acordo com os dados oficiais, Itatiaiuçu registrou 99 ocorrências de violência doméstica e familiar contra a mulher em 2023. Mês a mês, os números foram: 10, 9, 9, 7, 9, 5, 10, 8, 7, 2, 11 e 12. Em 2024, foram 95 registros, distribuídos da seguinte forma: 3, 4, 4, 12, 11, 7, 6, 9, 11, 7, 11 e 10.
Já em 2025, o município contabilizou 117 ocorrências, o que indica um aumento de aproximadamente 23% em relação a 2024. Os dados mensais foram: 7, 10, 8, 9, 11, 11, 10, 15, 7, 7, 14 e 8.
A violência contra a mulher pode se manifestar de cinco formas, conforme a Lei Maria da Penha: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Entre as ocorrências registradas estão crimes como lesão corporal e ameaça, os mais frequentes, além de vias de fato, descumprimento de medida protetiva de urgência, perseguição e dano ao patrimônio.
Os números reforçam que a violência de gênero não é um fenômeno isolado, mas um problema estrutural, que demanda políticas públicas permanentes, atuação integrada das forças de segurança e conscientização da sociedade.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, apontam que o país registrou, em 2025, cerca de 1.470 feminicídios, o maior número desde a tipificação do crime, em 2015. A média é de aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. Em dez anos (2015–2025), mais de 13 mil brasileiras foram vítimas de feminicídio.
Outro dado preocupante do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, indica que 71,6% das notificações de violência contra a mulher ocorrem dentro de casa. O espaço que deveria representar segurança e acolhimento para muitas vítimas é o local de maior risco. Especialistas também alertam para a subnotificação, motivada por medo, dependência econômica, vergonha ou desconhecimento dos direitos.
Canais de denúncia
Em Minas Gerais, o principal instrumento para denúncias anônimas é o Disque Denúncia Unificado (DDU) 181, que funciona 24 horas por dia, gratuitamente, em todo o estado.
Em emergências, a população pode acionar o 190 (Polícia Militar), 193 (Corpo de Bombeiros) e 197 (Polícia Civil). Também está disponível a plataforma Emergência MG, que permite o acionamento das forças de segurança pela internet, com envio de fotos, vídeos e geolocalização, facilitando o atendimento em tempo real.
Outro canal é o projeto “Chame a Frida”, um chatbot da Polícia Civil que utiliza o WhatsApp para orientar e encaminhar vítimas de violência doméstica, combinando respostas automáticas e atendimento humanizado.





