Um olhar especial para a estrada dos milhões



Recebi esta semana uma sugestão para o editorial das edições de Itatiaiuçu e Itaúna que veio a calhar. Confesso que já venho observando e pensando em produzir matéria para as duas edições faz algumas semanas, devido ao estado crítico em que a MG -31 ou Rodovia do Minério, como é popularmente conhecida, se encontra. Como utilizo a estrada todas as semanas e tenho pessoas ligadas a mim que a utilizam todos os dias, sou sabedor das dificuldades e principalmente do perigo que é trafegar por ela diariamente. A situação das pistas é absurda, são buracos e mais buracos e uma sinalização deficitária, apesar dos radares. E a situação ocorre em sua totalidade, ou seja, de Itatiaiuçu a Pará de Minas, ou se preferirem da BR-381 à BR-262. É preciso uma solução imediata. A recuperação total da estrada é urgentíssima. E não é propor um “tapa-buraco” como os que estão sendo feitos nos últimos quatro anos. A última recuperação total, porém superficial e muito malfeita, aconteceu faz no mínimo 8 anos e o tráfego pesado de caminhões carregados de minério encurta a durabilidade do recapeamento, que precisa ser diferenciado.

Aliás, o tráfego na MG-431, além de intenso, por interligar duas rodovias federais e três cidades importantes economicamente para a região, é muito intenso e problemático por ser na maioria de caminhões que transportam minério de ferro. E é exatamente aí que as coisas se complicam, pois, com as grandes mineradoras instaladas em Itatiaiuçu, o fluxo de ônibus e carros no trecho entre as duas rodovias federais é intenso, principalmente entre a cidade sede das mineradoras e Itaúna, que fornece mão de obra para elas. Trafegar pela rodovia é correr riscos todos os dias, pois os caminhões carregados ou não de minério não respeitam nada e impõem riscos em todos os sentidos para os demais motoristas que necessitam trafegar diariamente pelo trecho. Além da velocidade excessiva, abusam do tamanho dos caminhões, agem no volante como se a rodovia fosse somente deles. A última coisa que os denominados “caminhoneiros” respeitam é a sinalização, e chegam a afrontar as autoridades estaduais de trânsito, derrubando com as caçambas os postes com câmeras da sinalização eletrônica, os populares “pardais ou radares”. Mas a falta de respeito maior é mesmo com a vida, com o ser humano, seu semelhante, que precisa, como eles, trabalhar para o sustento da família e é obrigado a correr riscos todos os dias na pista da rodovia pra lá e pra cá. Então é necessário, e com urgência, um estudo mais aprofundado do governo estadual através do DER, para que o traçado e a abertura de terceiras pistas em determinados trechos sejam providenciados. É preciso também se preocupar com a feitura de pequenos trevos em cruzamentos específicos, caso das entradas dos vários condomínios e principalmente povoados, caso de Ponta da Serra, Chaves e Rio São João, além da entrada do Bairro São Francisco, em Itatiaiuçu, e de outras em Itaúna, caso da chamada entrada da “Água Viva”, na Barragem Velha, entrada do Condomínio Lago do Sol (onde deveria ser autorizado a construção de um túnel), dentre outros, como no acesso ao Iate Clube Itaúna, além, é claro, do cruzamento para quem vem do povoado do Córrego do Soldado. Enfim, é preciso resolver as situações de risco iminente.

Os políticos das três cidades envolvidas na questão, Itatiaiuçu, Itaúna e Pará de Minas, deveriam se reunir e cada um fazer a sua parte, agindo politicamente junto aos seus deputados estaduais e federais, que no momento do voto vêm até os municípios prometer “mundo e fundos”, mas não voltam para efetivar as promessas, para ajudar a resolver as questões que envolvem a vida do trabalhador, do estudante, da professora ou dos pais de famílias. Todos, das três cidades, dependem de alguma forma da MG-431. O governador Zema, que gosta de mostrar que faz um governo diferente, voltado para os municípios, já deveria ter percebido que as mineradoras instaladas na Serra de Itatiaiuçu pagam milhões e milhões de impostos e geram muito emprego e renda, e já devia ter buscado solução para o tráfego na rodovia. Poderia, inclusive, tentar negociar uma parceria público-privada para a feitura de obras na mesma. É uma questão de vontade política de todos os envolvidos, como prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, e outras lideranças, como representantes da Fiemg e das entidades de classes dos municípios. 

O fato é que passou da hora de resolver a questão do tráfego na MG-431, a popular Rodovia do Minério, inclusive, com maior policiamento, para que os caminhoneiros que não respeitam a sinalização e muito menos o próximo, o ser humano, paguem pelo constante desrespeito ao Código de Trânsito. E fica a observação: o governo estadual está preocupado apenas com a arrecadação de impostos, pois a balança está sendo toda reformada e ficando pronta para atuar novamente. Mas e a vida dos que dependem da rodovia? Essa não tem valor?... Com certeza vai ser a última a ser observada pelos políticos. E, às vezes, pode ser tarde para muitos. Infelizmente.      

Renilton Gonçalves Pacheco

Jornalista

Diretor do Jornal FOLHA do Povo Itatiaiuçu e Itaúna