Minério em baixa reduz produção e arrecadação

Produção de minério de ferro caiu 17% entre janeiro e agosto; CFEM recuou 26%, com redução de R$ 11,96 milhões na cota destinada ao Município

Minério em baixa reduz produção e arrecadação
Foto: Divulgação/Romeu

Itatiaiuçu enfrenta um período de retração na atividade minerária, com reflexos diretos sobre a arrecadação municipal. Dados apresentados pela Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (AMIG) apontam que a produção comercializada de minério de ferro no município caiu aproximadamente 17% entre janeiro e agosto de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. A redução representa cerca de 1,45 milhão de toneladas.

O cenário também afetou uma das principais receitas provenientes da mineração. No período analisado, a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) teve queda de 26%, resultando em uma redução de aproximadamente R$ 11,96 milhões na cota-parte destinada ao município (veja matéria completa ao lado).

A retração ocorre em um contexto de mercado internacional marcado por oferta abundante de minério de ferro, demanda ainda contida no setor siderúrgico e aumento dos custos logísticos. Segundo o Boletim Econômico Minerário da AMIG, até setembro, a demanda física pelo minério permanecia relevante, mas o equilíbrio entre oferta e procura tem limitado o potencial de valorização dos preços.

Queda na produção

De acordo com a análise da AMIG, a redução da produção em Itatiaiuçu está concentrada principalmente em duas mineradoras. Entre janeiro e agosto, a Minerita registrou queda de aproximadamente 872 mil toneladas, enquanto a Mineração Usiminas apresentou redução de cerca de 699 mil toneladas.

Somadas, as duas empresas responderam por uma diminuição de aproximadamente 1,57 milhão de toneladas no período. Considerando todas as empresas em atividade na cidade, as retrações chegaram a aproximadamente 1,70 milhão de toneladas. Parte dessa queda foi compensada por um aumento de cerca de 252 mil toneladas nas demais operações, resultando na retração acumulada de 1,45 milhão de toneladas.

Além da redução no volume produzido, o mercado também enfrenta pressão sobre os preços e os custos de transporte. Em vídeo divulgado pela administração municipal, o prefeito Romer Soares afirmou que o minério de ferro está sendo comercializado atualmente na faixa de US$ 89 a US$ 90 por tonelada.

Segundo o prefeito, outro fator de preocupação é o custo do frete marítimo, que estaria pressionando as operações do setor. Romer relacionou o aumento dos custos logísticos ao cenário internacional e afirmou que, no momento, não há previsão concreta de recuperação enquanto persistirem os fatores que impactam o transporte marítimo.

Perspectiva ainda 

é de cautela

Em reunião com técnicos da AMIG durante esta semana, Romer buscou informações atualizadas sobre o cenário da mineração e as perspectivas para a recuperação do setor. Segundo a administração, ainda não há uma previsão concreta de melhora.

A avaliação da AMIG não aponta, neste momento, para uma recuperação significativa dos preços do minério de ferro no curto prazo. A entidade projeta um cenário de preços relativamente estáveis, mas sem evidências de recuperação sustentada no último trimestre de 2026 e no primeiro trimestre de 2027.

Ao mesmo tempo, a análise não indica um colapso imediato das cotações. O principal risco para os produtores brasileiros, segundo o boletim, está na combinação entre preços moderados, fretes elevados e compressão das margens de operação.

Impacto nas contas 

municipais

A redução da atividade minerária afeta diretamente receitas importantes para Itatiaiuçu, entre elas a CFEM e o Imposto Sobre Serviços (ISS). Diante da queda na arrecadação, a Prefeitura informou que está adotando medidas de contenção de despesas para atravessar o período de menor receita.

Romer afirmou, em vídeo nas redes sociais, que novas medidas de contenção deverão ser adotadas, mas ressaltou que a intenção é preservar os serviços oferecidos à população. Segundo o prefeito, a prioridade é garantir a manutenção dos serviços essenciais e manter os salários dos servidores municipais em dia.