MINERAÇÃO - IBRAM comenta impacto de tarifas sobre exportações do Brasil pelos EUA

MINERAÇÃO - IBRAM comenta impacto de tarifas sobre exportações do Brasil pelos EUA

Desde o anúncio da tarifa de 50% anunciada sobre o Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com validade a partir de 1° de agosto, o momento é de apreensão e espera. Para o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), as tarifas afetarão significativamente a indústria da mineração nacional.

Conforme divulgado pela entidade, o IBRAM tem mantido consulta junto às mineradoras associadas para avaliar os possíveis impactos. “A conclusão é que essa imposição unilateral, sem embasamento técnico ou econômico convincente, fere o ambiente de negociação que tem se perpetuado no comércio internacional de minérios, razão pela qual este IBRAM apresenta publicamente seu repúdio à atitude do governo norte-americano, e espera que tal anúncio não se concretize”, publicou.

O IBRAM destaca que o setor mineral brasileiro é parceiro global em uma economia justa e aberta, e espera que as relações comerciais sejam baseadas na previsibilidade, no diálogo e no respeito mútuo. Em várias ocasiões, inclusive na atual gestão, o governo norte-americano buscou reuniões com o IBRAM para demonstrar interesse na compra de minérios críticos e estratégicos produzidos no Brasil para diversas finalidades.

Os EUA respondem por 4% das compras de minérios do Brasil e se situam como o 12º maior importador de minérios do país em tonelagem. Os EUA importam do Brasil ouro (aquele país importou 4,9% do total em 2024); pedras naturais e rochas ornamentais (31,4%); ferro (0,7%); caulim (18,3%); nióbio (7,1%).

Ainda destacado pelo IBRAM, os impactos dessas novas tarifas vão além do setor mineral porque esta indústria responde por 47% do saldo positivo da balança comercial, conforme dados de 2024. E abalos na exportação de minérios sempre são preocupantes sob este aspecto.

Para a entidade, a imposição da tarifa “obriga o Brasil a buscar novos parceiros no mercado mundial, abandonando uma parceria histórica com os EUA, que beneficia ambos os países".

Além disso, a entidade aponta impactos sobre os investimentos no país, que podem sofrer abalos em razão de mais tarifas sobre exportações. Conforme divulgado, a indústria da mineração anunciou investimentos de US$ 68,4 bilhões até 2029 no Brasil, “algo que se torna passível de reavaliação para baixo, em razão do anúncio de mais tarifas sobre exportações”. 

“O IBRAM e as mineradoras associadas também se declaram solidários aos demais setores econômicos do país, que terão sua corrente de comércio exterior muito afetadas, caso o anúncio de mais tarifas se concretize, e defende que esta questão seja alvo de intensas negociações cordiais entre os governos dos dois países”, declara.

A tarifa no país ainda é a mais alta entre as novas taxas divulgadas. Desde segunda, o republicano iniciou o envio de cartas informando quanto cada país pagará se não firmar acordo comercial com os EUA. Neste sábado, anunciou 30% para a União Europeia e o México. De forma geral, Trump definiu valores que variam entre 20% e 50%, a depender do país. (Com informações do IBRAM)